Learning Canvas - Quadro do Aprendizado

Visão

Quantas vezes você entrou em uma reunião e saiu sem saber exatamente o que precisa ser feito? E quantas você estava no meio da reunião tentando entender qual era o ponto da discussão? E quantas você ficou na dúvida do que realmente estava fazendo ali? Acredito que muitas.

{icon=bicycle} G> ### Dica do Lucas G> G> eu muitas.
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O Learning Canvas vem pra tentar facilitar as coisas e é um entre tantos outros quadros que irão aparecer nesse livro. Esses quadros servem para guiar nossas conversas em torno dos vários problemas que vamos solucionar durante os nossos projetos. A gestão visual em si é uma grande aliada para fazer todo mundo enxengar para onde estamos tentando ir.

Em uma reunião de brainstorm pode surgir muitas ideias e novos problemas ao mesmo tempo, fazendo ser fácil perder o foco. Até porque tem tempestade no nome. Podemos imaginar então esse Quadro do Aprendizado como uma capa de chuva no meio dessa tempestade de ideias.

Diferente de outros quadros que exigem um pouco de estudo pra se entender os conceitos, o Learning Canvas é didático e previsível. Basicamente precisamos preencher os campos durante a reunião. De uma maneira dinâmica e não chata, acaba sendo uma mistura de facilitador com documentação e uma pitada de ata, agradando desde o gerente mais conservador ao estagiário que não consegue ficar 10 minutos sem mexer no celular.

Por ser bem simples ele é fácil de aplicar e mesmo nas primeiras tentativas já saem algumas ideias e entedimentos que vão gerar bastante valor pro seu projeto.

{icon=bicycle} G> ### Dica do Lucas G> G> Em uma das minhas primeiras facilitações usando o Learning Canvas tínhamos um clima de tensão no time porque percebemos no meio do caminho que o banco de dados que estávamos utilizando não tinha uma funcionalidade necessária para entregar o que o cliente estava pedindo. Juntamos o time de desenvolvimento com o time do cliente e no final acabamos percebendo que não valeria a pena investir em trocar de tecnologia e aceitamos remover a funcionalidade da primeira versão do produto. Todos saíram satisfeitos, o cliente por conseguir entender o que nos fez a escolher o banco de dados no início e os desenvolvedores que não iriam ter que refazer grande parte da aplicação.
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Ação

Na parte de cima, da esquerda pra direita documenta-se as informações que dão a pitada de ata pro quadro:

  • Tema: sobre o que estaremos falando? Porque esta reunião está acontecendo?

  • Onde: que lugar que estamos fisicamente ou virtualmente?

  • Quando: que dia é hoje?

  • Pessoa Questionadora (Asker): quem é a pessoa que traz as perguntas e / ou os problemas?

  • Pessoas Compartilhadoras (Sharers): quem são as pessoas que estão na reunião para compartilhar experiências e tentar chegar em possíveis soluções?

  • Pessoa Facilitadora: quem é a pessoa que está centralizando e guiando a reunião?

    Isso vai nos ajudar a lembrar muito bem do momento atual que estamos no projeto. Quando passarem algumas semanas e nos perguntarmos: quem tomou essa decisão mesmo? De onde veio essa ideia? O Learning Canvas vai responder :) Além disso, quando assumimos o papel de Pessoa Questionadora ou de Pessoa Compartilhadora, estamos deixando nossos cargos de especialista, gerente, pessoa sênior ou pessoa junior do lado de fora da reunião, diminuindo o espaço gerado pelas hierarquias padrões das empresas e deixando a conversa mais horizontal.

    Passada a parte da ata, o quadro é dividido em duas visões de tempo: passado e futuro. A Pessoa Questionadora então começa explicando o tema, ao tempo que vai situando problemas e sintomas que o projeto, time ou produto tem atualmente e compartilha a sua visão de resultado esperado.

    Agora é a vez das Pessoas Compartilhadoras começarem a contar suas experiências no passado relacionado ao tema e sugerir algumas ideias que podem ajudar a resolver o problema.

    O papel da Pessoa Facilitadora é ir categorizando as falas em notas e garantir que todos tenham espaço para fala, aumentando a colheita de experiências. Por vezes temos pouco tempo e muitos problemas para serem pensados, e algumas pessoas gostam mesmo de contar suas histórias de sucesso com experiências do passado, principalmente as de cargos mais altos. Perguntas podem auxiliar no processo de facilitação, inclusive ajudando a trazer experiências não tão boas, que costumam ser mais importantes que as experiências de sucesso.

    Depois de todos compartilharem suas experiências e ideias, a Pessoa Questionadora pode puxar um ou mais post-its para a parte do tentar do quadro e é isso. De verdade, é só isso. Porém, tudo está nos detalhes. A palavra tentar tem um peso muito diferente do fazer. Tentar é experimentar, arriscar, sem a pressão de que as coisas precisam dar certo de primeira. Fazer é acertar, concluir. Isso deixa tudo mais leve, das proposições das ideias até a escolha do que vai ser aplicado para tentar solucionar o problema.

    Depois os resultados podem ser compartilhados com todos que estavam na reunião ou se der errado, a Pessoa Questionadora pode simplesmente puxar outro post-it das ideias para o tentar até chegar no resultado esperado. Garanta que as ideias estão priorizadas em uma ordem para ajudar este movimento. Também pode ser interessante fazer uma nova sessão com o Learning Canvas com as mesmas pessoas para apresentar os novos aprendizados, e permitir a gestação de novas ideias, criando um novo panorama a ser experimentado.

    Nessa não pressão por resultados concretos de primeira e com um compartilhamento de problemas e ideias de forma horizontal, surgem muitas ideias simples, inovadoras que podem ajudar e muito seus projetos.

    Se você não tem segurança em ser uma pessoa facilitadora de cerimônias, o Learning Canvas pode ser um bom começo. É um quadro com uma estrutura fixa, que auxilia sua aplicação da início ao fim.

    Learning Canvas